Línguas germânicas

 

                         

. Dentre os aspectos que permitem distinguir todas as línguas germânicas antigas das outras línguas indo-européias, a mais importante talvez seja a acentuação de todas as palavras sobre a primeira sílaba.

 

Inglês

. O inglês se originou dos vários dialetos do germânico ocidental do Mar do Norte, falados pelos anglos, saxões, jutos e frísios, que invadiram a Grã-Bretanha, na época dominada por celtas, logo após a retirada dos romanos. O inglês arcáico, desta época, se encontrava mais próximo do holandês  e do alemão, do que do inglês falado hoje em dia.

. Posteriormente, o inglês arcáico sofreu diversas influências. Inicialmente, das línguas nórdicas com as invasões vikings iniciadas no final do século VIII. Depois, a partir de meados do século XI, com a conquista dos normandos _ vikings de fala francesa que antes conquistaram a Normandia _, recebendo desta forma um importante superstrato da língua francesa.

. Por séculos, a Inglaterra foi um país trilíngue: a aristocracia falava francês, os burgueses e camponeses falavam o inglês e o latim era a língua dominante da Igreja, assim como da área jurídica.

. Portanto, o inglês moderno é a mais latina das línguas germânicas, estando linguisticamente a meio caminho entre as línguas latinas e germânicas.

 

Alemão

. Os dialetos da Alemanha são geralmente divididos em baixo-alemão e alto-alemão (de norte a sul do país, com a altitude subindo até os Alpes). Nem todos os dialetos alemães são mutuamente inteligíveis. Atualmente, os dialetos do baixo-alemão, que eram empregados na poderosa Liga Hanseática, praticamente não são mais falados. O alemão oficial originou-se do alto-alemão.

. O dialeto alemão falado na Suíça (o “schwytzertütsch”, falado cotidianamente e diferente do alemão padrão) e na Alsácia francesa também são oriundos do alto-alemão, assim como aquêle da Suábia alemã (local de origem dos suevos, povo germânico que invadiu a Galícia e o Norte de Portugal, no século V). Todos esses provem do povo germânico dos alamanos.

. Na Áustria o alemão padrão é o único idioma oficial do país. Contudo, a maioria da população também se expressa cotidianamente no dialeto austro-bávaro, do grupo do alto-alemão, proveniente do povo germânico dos bávaros.

. O alemão tem três vogais especiais que podem ser escritas tanto acentuadas com um trema, quanto com um “e” acoplado. São elas: “ä” = “ae”, “ö” = “oe” e “ü” = “ue”. Como você pode perceber, a segunda grafia é aquela adotada na internet, pois este veículo não permite acentos.

. Outra particularidade do alemão, que confunde bastante as pessoas em seus primeiros contatos com esta língua, é a equivalência entre o “ß” (letra beta grega) e o “ss”. O som é como se fosse o do “ç” português. Entretanto, a palavra castelo em alemão pode ser escrita como “schloß” ou como “schloss”. Claro, que na internet apenas a segunda grafia é empregada.

. O alemão quase se tornou a língua oficial dos EUA. O Congresso dos Estados Unidos, durante a Revolução Americana, a certa altura examinou a questão de adotar um novo idioma para o futuro EUA, talvez com o fito de cortar todos os laços com a Inglaterra. O alemão era o favorito, por várias razões, dentre elas por que havia muitos americanos falantes do alemão na Pensilvânia e em outros estados. Quando a proposta foi votada, o inglês foi escolhido como a língua da nova república, sendo a maioria atingida com diferença de apenas um voto!

. Diferentemente do que muitos pensariam, os alemães e seus descendentes formam, hoje, o maior gupo étnico dos EUA, somando mais de 50 milhões de pessoas. São mais numerosos, inclusive, que os ingleses e os irlandeses.

 

Holandês

. Curiosamente, o povo germânico dos francos não deixou sua língua na França, pois lá eles adotaram o idioma dos galo-romanos, que veio a se tornar o francês. No entanto, o neerlandês ou holandês atual, procede do baixo-francônio antigo, língua dos francos instalados no que atualmente são os Países Baixos e a Bélgica flamenga.

. O holandês, como língua culta e escrita, é idêntico ao flamengo, falado no norte da Bélgica. Já o africâner é derivado do holandês e foi desenvolvido pelos colonos holandeses que colonizaram a África do Sul.

. A relação entre o alemão e o holandês, línguas parentes, permite uma compreensão bastante ampla do texto, porém só ocasionalmente oral, pois o primeiro deriva do alto-alemão e o segundo do baixo-alemão.

. Os falantes do holandês são capazes de entender os falantes do inglês com muito mais facilidade do que os falantes do inglês compreendem o holandês, apesar da proximidade das duas línguas.

 

Línguas escandinavas

. De forma geral, não existe dificuldade para um nórdico ler em um dos três idiomas dinamarquês, norueguês e sueco. Inclusive um documento redigido em um deles é válido no território dos outros dois países. É, também, fascinante como um dinamarquês, um norueguês e um sueco podem conversar juntos, cada um na sua própria língua, sem ajuda de um intérprete. Esses idiomas são mais próximos entre si do que o português e o espanhol. Estariam mais para o português e o galego.

. Devido ao longo domínio da Dinamarca sobre a Noruega, o dinamarquês e o norueguês podem na realidade ser mais semelhantes entre si do que qualquer um deles com o sueco. Além disso, a pronúncia dinamarquesa faz com que os suecos geralmente considerem mais simples compreender o norueguês do que o dinamarquês. Mas mesmo que um sueco ache difícil compreender um dinamarquês, o mesmo não é necessariamente verdade no sentido inverso. Inclusive, os escandinavos dizem que o “norueguês é o dinamarquês pronunciado à sueca”.
 
. Entretanto, os três acima não são capazes de compreender o islandês, idioma primo mais antigo. O islandês é a língua mais próxima da que falavam os vikings, diferentemente das outras línguas escandinavas. É também a única língua germânica que preservou o acento na primeira sílaba em todas as palavras.