Considerações sobre Metanol em Vinhos

25/10/2025 00:00

CONSIDERAÇÕES SOBRE A PRESENÇA DE METANOL EM VINHOS

 

            A fermentação alcoólica dos açúcares da uva para gerar vinho, sempre produz principalmente etanol ou álcool etílico e uma muito pequena quantidade de seu irmão menor e danoso, o metanol ou álcool metílico. Este mesmo fato acontece com todas as frutas, por serem ricas em pectinas, que estão presentes nas cascas e partes sólidas das mesmas.

 

            O metanol surge como subproduto devido à degradação enzimática da pectina (um polissacarídeo das paredes celulares das frutas) por enzimas chamadas pectinases. Essa degradação pode liberar grupos de metoxila (-OCH₃), que são convertidos em metanol (CH₃OH).

 

            O norte-americano CDC - "Centro de Controle e Prevenção de Doenças" constatou que as dosagens tóxicas vão desde 10 ml de metanol puro que causa cegueira permanente até a ingestão de 30 ml ou mais deste produto podendo ser fatal. Como a densidade do metanol é de 0,792 g/ml a 20ºC, os valores acima equivalem à 7,92 g e 23,76 g, respectivamente.

 

            Segundo o Dr. Marcos Frugis, médico gastroenterologista, a fisiopatologia do metanol é a seguinte:

1. Metanol é ingerido e rapidamente absorvido pelo trato gastrointestinal;

2. No fígado, a enzima álcool desidrogenase converte o metanol em formaldeído;

3. A enzima aldeído desidrogenase transforma o formaldeído em ácido fórmico, que é altamente tóxico;

4. O ácido fórmico se acumula, causando acidose metabólica e danos ao sistema nervoso, causa lesão direta na retina e nervo óptico (cegueira), causa lesões nos rins, pulmões e pâncreas;

5. Sintomas iniciais são náuseas, tonturas e dor de cabeça, podendo evoluir para alterações visuais e insuficiência múltipla de órgãos.

 

            Mas segundo o mesmo Dr. Frugis, os antídotos para intoxicação por metanol são:

a) Etanol — compete com o metanol na enzima álcool desidrogenase, atrasando a formação de toxinas; (Comentário meu: "Felizmente o etanol é um produto abundante encontrado nos vinhos")

b) Fomepizol — bloqueia a mesma enzima, evitando a conversão do metanol em formaldeído;

c) Bicarbonato de sódio — para corrigir a acidose metabólica causada pelo ácido fórmico;

d) Em casos graves, pode ser necessária hemodiálise para remover o metanol e seus produtos tóxicos.

 

            A legislação brasileira vigente fixou limites extremamente seguros para a quantidade de metanol gerada (não colocada propositalmente, o que se configuraria em grave crime) em diversas bebidas alcoólicas, conforme mostrado na tabela do Anexo I.

 

            No caso dos vinhos finos, espumantes e vinhos licorosos brancos e/ou rosados o limite superior de metanol permitido é de 300 mg/L. Para os tintos este limite sobe para 400 mg/L, devido a maceração com as cascas aportar mais pectinas ao mosto.

 

            Para que um consumidor de vinho viesse a ter problemas com o consumo de um determinado vinho branco, que estivesse no topo da curva, ele deveria ingerir:

            - Cegueira: 7.920 mg / 300 mg = 26,4 litros

            - Fatalidade: 26,4 x 3 = 79,2 litros

 

            Extrapolando para vinhos tintos nas mesmas condições, teríamos:

            - Cegueira: 7.920 mg / 400 mg = 19,8 litros

            - Fatalidade: 19,8 x 3 = 59,4 litros

 

            Como podemos aferir, os limites impostos por nossa legislação são mais que suficientes, frente à impossibilidade de um vinho vir a causar danos num consumidor, mesmo que este não seja moderado.

 

            Concluindo estas breves considerações cabe recomendar fortemente que os consumidores de vinho só comprem de empresas que adquiram os seus vinhos importados e/ou nacionais diretamente dos produtores. Desta forma, o produto tem garantia de autenticidade e de plena sanidade.

 


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